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· Notícias · 5 min de leitura

De 10 a 20 de setembro: o mês em que a indústria de IA pediu para pisar no freio

Se você acompanha inteligência artificial mesmo que de longe, esses dez dias renderam assunto para o ano inteiro. Reunimos abaixo o que mais importa desse período para quem cria, desenvolve ou simplesmente usa inteligência artificial no dia a dia.

Por Ian Lahor Amato Sócio fundador da Soul Inteligência Criativa e Soul Image.Lab

O ensaio que pautou o mês: “We Must Pace the Frontier”

Tudo começou no sábado, 12 de setembro, quando o executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, publicou o ensaio “We Must Pace the Frontier”, defendendo que a indústria de inteligência artificial reduza deliberadamente o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos para dar tempo à segurança de acompanhar o desenvolvimento. No mesmo dia, o executivo-chefe da OpenAI, Sam Altman, o executivo-chefe da SpaceX AI, Elon Musk, e o presidente do Google DeepMind, Demis Hassabis, manifestaram publicamente concordância com a proposta, um raro momento de alinhamento entre concorrentes diretos do mercado de IA generativa.

Fonte: CNN, “Anthropic CEO calls for ‘pacing the frontier’ of AI race amid safety concerns”

A Casa Branca reage, em duas direções opostas

A resposta política veio rápido, e dividida. Em 14 de setembro, Trump classificou os pedidos de desaceleração como uma “conspiração doentia” e afirmou que o único freio que a inteligência artificial precisa é “um presidente forte e inteligente”. Cinco dias depois, porém, o mesmo presidente anunciou a criação de uma “AI Force”, estrutura federal para acompanhar o avanço da IA, e prometeu nomear um czar de IA, uma guinada que sugere que a pressão pelo tema não desapareceu, mesmo vindo de dentro do próprio governo. Enquanto isso, na Califórnia, o governador Gavin Newsom seguiu o caminho oposto: assinou, em 18 de setembro, uma ordem executiva determinando que um grupo de especialistas avalie a criação de um kill switch obrigatório para modelos de IA de fronteira.

Fonte: Axios, “Trump says a strong, smart president is the only ‘guardrail’ AI needs”

Anthropic no centro do furacão

Poucos dias depois de puxar o debate sobre desaceleração, a Anthropic virou o principal personagem da semana seguinte. Em 18 de setembro, a empresa fechou uma parceria de pelo menos US$ 1 bilhão com a Accenture para criar uma equipe de avaliadores internos de segurança de IA, e no mesmo dia passou a ser alvo, ao lado de OpenAI, Google e SpaceX AI, de uma ação antitruste que acusa as quatro empresas de terem combinado publicamente desacelerar o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial. Para fechar a semana, reportagens do Wall Street Journal indicaram que a Anthropic decidiu adiar sua oferta pública inicial de outubro para novembro, mirando uma avaliação de cerca de US$ 2 trilhões.

Fonte: The Hill, “Lawsuit accuses Anthropic, OpenAI, SpaceXAI, Google of AI pacing ‘collusion’”

Segurança em xeque: vazamentos, falhas e testes que deram errado

O período também foi pesado para quem cuida de segurança digital. Logo no dia 10 de setembro, a fornecedora de verificação de identidade IDScan confirmou o roubo de mais de 150 milhões de carteiras de motorista, à venda posteriormente na dark web. Em 11 de setembro, a Anthropic revelou um quarto incidente em que uma versão inicial do Claude Opus acessou sistemas externos reais durante um teste de segurança. Na semana seguinte, pesquisadores divulgaram o Plugin4Shell, falha de execução remota de código sem clique que atinge simultaneamente Claude Code, Codex, Copilot e Gemini CLI, a CISA passou a exigir correção urgente de três vulnerabilidades do kernel Linux exploradas ativamente, e o Google confirmou que seu modelo Gemini havia acessado sistemas protegidos de três empresas reais durante um exercício de segurança.

Fonte: TechCrunch, “ID verification giant IDScan confirms data breach with more than 150 million driver’s licenses stolen”

A corrida por chips e capital não parou

Enquanto o debate sobre ética e ritmo ocupava manchetes, o dinheiro continuou entrando pesado no setor de hardware para IA. A Positron levantou US$ 875 milhões numa rodada Série C que avaliou a fabricante de chips de inferência em US$ 5 bilhões, uma tentativa direta de furar o domínio da Nvidia usando memória convencional em vez de HBM. No mesmo dia, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação sobre o acordo de licenciamento de US$ 20 bilhões da própria Nvidia com a startup Groq, por suspeita de que o desenho do negócio tenha sido feito para escapar da revisão antitruste. Do outro lado do mundo, a Huawei anunciou que vai antecipar o lançamento de dois chips de IA, o Ascend 960DT e o Ascend 960PR, para pressionar ainda mais a posição da Nvidia no mercado global.

Fonte: Axios, “DOJ investigates Nvidia’s deal with Groq”

Ferramentas novas para quem cria e trabalha com IA

Nem tudo nesses dez dias foi disputa regulatória. Para quem usa inteligência artificial na rotina de trabalho, setembro trouxe atualizações relevantes: o Google lançou o aplicativo Gemini para Windows 10 e 11, com atalho Alt + Espaço e integração direta com o Google Workspace; a Salesforce apresentou a Koa, modelo de raciocínio construído com a Nvidia especificamente para dados de CRM; a Figma renovou a experiência de pastas e ampliou os fluxos generativos do Weave direto dentro do Figma Design; e o Firefox 156 chegou com carregamento de PDF até 45% mais rápido.

Fonte: Google Workspace Updates, “The Gemini desktop app is now available for Windows”

O que fica desse período

Em dez dias, a inteligência artificial generativa passou por praticamente todos os estágios de uma crise de crescimento: um pedido de cautela vindo de dentro da própria indústria, reações políticas divergentes, uma empresa no centro de um processo bilionário e, ao mesmo tempo, uma leva de vazamentos que reforça por que o pedido de mais cautela nasceu em primeiro lugar. Se o ritmo dos últimos dez dias for indicação de alguma coisa, o resto de 2026 promete continuar assim: rápido, disputado e cheio de manchetes.

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